1ª Vivência

A primeira vivência do projeto Semeando Saberes Ancestrais aconteceu em fevereiro de 2023 no bairro do Alto Vera Cruz, periferia de Belo Horizonte.

Patrícia Lacerda, coordenadora geral do Grupo Cultural Meninas de Sinhá e Viviane Fortes, curadora, visitaram as casas das Meninas de Sinhá e ouviram histórias de muita força, resiliência, superação, alegria, aprendizado, conexão com o mundo e inspirações foram reveladas. As experiências de vida dessas mulheres são fortes, distintas e revelam um poder essencial que é o porto seguro de cada uma.

Da riqueza da memória e dos conhecimentos das Meninas de Sinhá e das Mulheres do Jequitinhonha nasce o Semeando Saberes Ancestrais, um projeto que promove o encontro entre mulheres, mesclando o urbano e o rural e  fortalecendo saberes, belezas e alegrias.

Na escuta dessas mulheres, brotaram temas que revelaram saberes preciosos como:  terra e sementes, alimentos, cantigas, plantas, remédios, cuidados, banhos, partos, benzeções, rezas, histórias, bordado, bonecas de pano, pastorinhas, folias de reis…

A partir daí, foi iniciada a série de encontros/ vivências entre as Mulheres do Jequitinhonha e as Meninas de Sinhá.

Diário de Bordo - 1ª Vivência

Meninas de Sinhá
Alto Vera Cruz – BH
Outono de 2023

Fui convidada, em 2021, pela Patrícia Lacerda, coordenadora do Grupo das Meninas de Sinhá, para prestar uma consultoria tendo por referência o trabalho que desenvolvo com as Mulheres do Jequitinhonha.

Considerando o histórico das Meninas de Sinhá, o das Mulheres do Jequitinhonha e os saberes ancestrais de outras mulheres com as quais venho trabalhando nos últimos anos, propus a ela a realização de uma sequência de encontros, vivências/intercâmbios entre essas mulheres para fortalecer os seus saberes e as suas belezas.

As Meninas de Sinhá, em sua maioria, têm uma origem rural ou vieram de pequenas cidades do interior. Nas visitas que fiz às casas de algumas mulheres do Alto Vera Cruz pude identificar os sinais dos saberes ancestrais, manifestados em muitos detalhes. Estavam presentes em objetos, fotografias, histórias, cantos e cantigas, canteiros de plantas e em pezinhos de algodão. A mudança para a cidade fez com que elas desenvolvessem outras culturas de resistência e de convivência. Os saberes da terra trazidos na bagagem, no entanto, nunca foram esquecidos. Ficaram guardados e emergiram quando necessário para lhes trazer conforto e alegria. Em nossas primeiras conversas pressenti que essas histórias e práticas iriam desabrochar em encontros com mulheres de grupos diferentes e de origens semelhantes.

As Meninas de Sinhá não precisam de tantas novidades. Precisam é de tempo, espaço e “espelho” para reconhecerem sua graça, sua força e sua beleza. Acredito profundamente na força dessas mulheres, que guardam a cultura das matrizes indígenas, africanas e ibéricas em seu lado mais luminoso. As marcas e desafios da vida só serviram para deixá-las ainda mais potentes e conectadas com o que realmente faz sentido. Por isso, propus os encontros com outras fortalezas de mulheres, para que cada uma se veja na outra, reconheça sua diferença e sua identidade, e a roda da unidade seja confirmada.

As nossas conversas culminaram na criação do projeto “Semeando Saberes Ancestrais”, para possibilitar às mulheres vivências diversas – com músicas, com versos, com danças, com fazeres manuais – e a troca de  conhecimentos sobre a terra, as plantas, as sementes, os partos, as benzeções, etc.

Acreditando sinceramente nessa força guardada pelas Meninas de Sinhá, começamos a semear.

 

                                                                                                                                Viviane Fortes da Silva

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